Liberdade do ócio


28/03/2005


e foi

 

tudo o que poderia fazer

era ouvir um som estranho

beirando os ares do prazer

 

tudo o que poderia pensar

era em sentir a vida

e até as vozes por mim passar

 

mas tudo quanto restava

era a saudade de ver

e não sentir a quem eu amava

 

todos os prantos que cairam

eram folhas saindo de

árvores que outros jamais viram

 

(15-02-79)

Escrito por ObservadOOr às 08h15
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25/03/2005


só...em um milhão

 

Talvez a vida me avisasse

de que um dia iria sorrir

e no outro chorar

Que em um momento iria

me amar e no outro

desconfiar

 

Quando vejo que sou

louco

e louco continuo a viver

me sinto só e

me desejo só.

 

Só para pensar

Só para olhar

Só para te amar

Mundo desgraçado

 

Mas mesmo assim

é engraçado

as pessoas se esforçam

em não crer, que amem

por amar, que andem

por andar, que comam

por comer, que vivam

por viver

 

As pessoas se fazem

objetos e nós, loucos,

seremos os objetos e não

poderemos dizer a verdade...

Ninguém acreditaria mesmo...

 

E quando estou só

é quando sonho

com idéias irreais

que caberiam bem mais

na cabeça dos reais!

 

Sou louco, louco

agora sei, tenho

toda a certeza de um em um milhão

mas a luta do vilão

acaba com a loucura

 

As vezes sonho por sonhar

ando por andar

como por comer

me divirto por nada

amo por amar

e vivo por viver

Só para saber

como os normais

conseguem desperdiçar

uma vida inteira

só por desperdiçar!

 

(30-10-82)

Escrito por ObservadOOr às 09h20
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23/03/2005


 

Coração conta a vida. Senta-se num divã, e pouco a pouco relaxa. Maltrata sempre que faz estas retomadas.

Doem as palavras quando são francas. Doem muito quando a franqueza vem de dentro de nós mesmos.

Repassam as emoções, uma a uma diante da tela do imaginário.

Ações reais revistas de fora isenta de qualquer racionalização. Ações reais sentidas, não analisadas.

Como que hipnotizado, os olhos fixam diante da tela imensa. E não para. Uma após a outra, sangrando.

Momento de paz, de alegria e de amor, sempre antecede os piores acontecimentos.

Parece existir uma lógica na vida, como uma roda gira, gira e gira diante de nós.

Ora aqui, ora lá. Ora feliz, ora aos prantos e novamente feliz... como gira essa vida meu Deus!

O coração atenta mais para os momento de emoção.

Nem só tristezas, nem só alegrias simplesmente sentimentos passantes.

Ele se diverte em ser assim. Existe um certo prazer macabro em alternar nossos sentimentos.

É certo que eles passam vagarosamente nestas horas.

Contornam nosso olhar, transpassam nosso corpo como raio pela janela.

Dá medo e emoção, comove.

Mistura que nos fazem sobreviver aos estorvos que nos aparecem.

Não poderia imaginar uma vida sem esta mistura, seria vazia.

Poderia ser mais fácil? Poderia, mas não teria a menor graça.

E o coração levanta-se e corre diante o corredor escuro.

As imagens cessam, o suor cessa, meus sentimentos cessam.

Volto ao cotidiano. Acendem-se as luzes.

O mundo real invade nossas vidas novamente.

 Esperando o coração deitar-se novamente.

Escrito por ObservadOOr às 18h41
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22/03/2005


 

O que é o futuro?

Um monte de horas, dias ou semanas, umas atras das outras. Um acordar um dormir, um leito sempre desarrumado, uma vida de meias... alegrias e dores.

O que é o futuro?

Será ele um novo momento em cada velho. Um instante a mais, uma lágrima que novamente percorrerá minha face. Uma nova vontade de te ver, saudade.

O que é o futuro?

Outra briga, outro caso de amor, outro pingo de chuva, outra lambida qualquer. Um novo sorriso é o futuro, ou será que ele nunca existiu?

 

Por que acreditar que há algo depois de agora, por que achar que um dia vai melhorar... por que a vida sempre amanhece comigo dormindo, e eu fico aqui esperando que ela melhore. O que é o futuro?

O futuro sou eu mesmo... minha própria chance de ser, de Ter minha felicidade na palma de minha mão. O futuro é aqui e agora! Nada mais do que isso.

Meu futuro... estou jogando ele a cada instante... e não realizo nada!

O futuro não é um vão pensamento de que amanhã será melhor, ele é a ação para que isso aconteça...amanhã ou depois de amanhã!

Escrito por ObservadOOr às 11h59
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O vale do infinito é distante, os olhos ainda se prendem ao perto.

Perdem-se em piscadas.

Olhares do agora, não conseguem mais navegar nos oceanos dos sonhos.

Vivem no concreto, são as argamassas de si mesmo, feitos de tijolos e cal, ferro e pedra.

Outrora da natureza, vagavam os olhares nos horizontes.

Hoje, lacrimejam a fumaça e enxergam paredes a poucos metros.

Restringe-se ao espelho da própria condição.

Liberdade é palavra vazia, prisioneira de tantas convenções.

Os sonhos, antes sensações, viraram métodos pré-estabelecidas.

Conjuntos cartesianos.

Transformaram-nos em indivíduos numerados, potenciais com esperanças.

Nunca deixamos de ser indivíduos, nem de ter esperança!

Olho a paisagem de mim mesmo, temo e choro por mim mesmo.

Hei de chorar por todos os outros “eus” que encontrar, fragmentado em estudos que ainda irei ler.

Sou a única diferença em mim mesmo, e ao mesmo tempo sou o universo de todos os saberes e busco, ávido, um ponto em ti nos mares dos sonhos.

Esvazio.

Escrito por ObservadOOr às 10h44
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