
Coração conta a vida. Senta-se num divã, e pouco a pouco relaxa. Maltrata sempre que faz estas retomadas.
Doem as palavras quando são francas. Doem muito quando a franqueza vem de dentro de nós mesmos.
Repassam as emoções, uma a uma diante da tela do imaginário.
Ações reais revistas de fora isenta de qualquer racionalização. Ações reais sentidas, não analisadas.
Como que hipnotizado, os olhos fixam diante da tela imensa. E não para. Uma após a outra, sangrando.
Momento de paz, de alegria e de amor, sempre antecede os piores acontecimentos.
Parece existir uma lógica na vida, como uma roda gira, gira e gira diante de nós.
Ora aqui, ora lá. Ora feliz, ora aos prantos e novamente feliz... como gira essa vida meu Deus!
O coração atenta mais para os momento de emoção.
Nem só tristezas, nem só alegrias simplesmente sentimentos passantes.
Ele se diverte em ser assim. Existe um certo prazer macabro em alternar nossos sentimentos.
É certo que eles passam vagarosamente nestas horas.
Contornam nosso olhar, transpassam nosso corpo como raio pela janela.
Dá medo e emoção, comove.
Mistura que nos fazem sobreviver aos estorvos que nos aparecem.
Não poderia imaginar uma vida sem esta mistura, seria vazia.
Poderia ser mais fácil? Poderia, mas não teria a menor graça.
E o coração levanta-se e corre diante o corredor escuro.
As imagens cessam, o suor cessa, meus sentimentos cessam.
Volto ao cotidiano. Acendem-se as luzes.
O mundo real invade nossas vidas novamente.
Esperando o coração deitar-se novamente.