

nasce o dia e eu renasço com ele
refaço-me do cansaço
respiro o sol
e me reconstruo feliz

quem já não parou na frente de um espelho
e meio que ficou só se olhando e pensando se tudo o que já fez
não passou de um "talvez"?
Eu? talvez...

deu-se o tempo
em minha direção
o vento absorve meus pensamentos
...e como voam nestas correntes maravilhosas.
o coração não adivinhou
o que o coração ainda não pediu
impediu, enfim
a trave que limita é o sonho que explode
neste tempo
os olhos eram marés que vinham
que subiam e acariciavam o continente
desciam e faziam falta... deixavam-me nu
tempo, como te quero no retorno
como se uma nova chance me concedesse
e em novos pés eu caminhasse
tempo, como te imploro a parada
mas você não para, apenas acaba
e fica mais forte enquanto anda
e me mostra que não terei o que refazer
perco-me diante dele
como se perde na lucidez do óbvio.
e você não para, vem em minha direção
impassível, frio e calculista
sou um ponteiro a rodar neste mundo parado.
mudo e parado

Em meus sonhos, os azuis vieram
mexiam com os outros tons
mexiam com as outras cores
faziam mesclas intensas e
banhavam meus mares de um verde
sólido.
vermelhos agora lilases
emolduravam as nuvens e
percorriam o meu horizonte
o sol ainda esperava a hora
deixava a lua banhar-se mais
e mais neste véu calmo.
gritava a lua o quanto amava
e a amava a distância como
se houvesse maneira de tocá-la
feliz
estradas brilhavam na alegria
de estar sob a luz azul desta
lua apaixonada
passantes dançavam e
cantavam ainda bêbados
os animais abriam seus olhos
vagarosamente
e ao fundo, os ruídos das risadas,
dos pássaros,
do amanhecer dos sons
azuis se vão, e deixam que os
vibrantes amarelos se aproximem
nasce um amor no horizonte
Sol e Lua, mesclados pelo
mesmo instante
se olham e se desejam!